No choque
entre a quina-viva do banco de concreto
e teu joelho macio, Amandinha,
tinge-se o mundo de vermelho.
Rompem-se em seqüência
epiderme, tecido adiposo.
Estanque,
queda a quina,
fonte da dor.

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Vôo a Timor em minha casa.
Os 'ôi, meu Deus!', 'me acuda!',
todos no mesmo português.

Vejo-te assistida.
Médicos sem fronteiras
cosem lá, suturam aqui,
mitigam a dor que há.

Não me é dado assumir tua dor, criança.
Turvam-se-me as vistas,
entro em confusão.
Recompondo-me, minto por conveniência,
consolo-te com um 'já vai passar'.

Céleres prosseguem os pontos
costurando-te,
minha boneca de carne e morena.
Noto teu fio inaugural de cabelo
axila esquerda, indefesa.

Suas, gemes, preocupas-te:
Quinze dias sem andar, meu pai?!
— Já acaba, tudo ficará bem, meu bem...

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A dor de Timor já termina.
O joelho vence a quina!

 

João Augusto Sampaio
Cidade do Salvador na Bahia. 25/10/1999 AD

 


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