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No choque entre a quina-viva do banco de concreto e teu joelho macio, Amandinha, tinge-se o mundo de vermelho. Rompem-se em seqüência epiderme, tecido adiposo. Estanque, queda a quina, fonte da dor. ......................................................... Vôo a Timor em minha casa. Os 'ôi, meu Deus!', 'me acuda!', todos no mesmo português. Vejo-te assistida. Médicos sem fronteiras cosem lá, suturam aqui, mitigam a dor que há. Não me é dado assumir tua dor, criança. Turvam-se-me as vistas, entro em confusão. Recompondo-me, minto por conveniência, consolo-te com um 'já vai passar'. Céleres prosseguem os pontos costurando-te, minha boneca de carne e morena. Noto teu fio inaugural de cabelo — axila esquerda, indefesa. Suas, gemes, preocupas-te: — Quinze dias sem andar, meu pai?! — Já acaba, tudo ficará bem, meu bem... ......................................................... A dor de Timor já termina. O joelho vence a quina!
João Augusto Sampaio |
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