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Meu paralelepípedo de Lelê-de-Coco
foge do garfo,
resvala em minhas pernas cruzadas e,
arremessado pela Gravidade,
pousa no chão,
impróprio ao meu consumo.
Peno e agasto-me
contra a Gravidade.
Após o muxoxo,
torno-me subitamente bom:
“Vem cá, meu cão!”
E chamo-o estalando os dedos.
Meu cão come o paralelepípedo
e
gosta de mim.
Eu e meu cão,
nós ambos nos amamos.
Somos inocentes mútuos.
João Augusto Sampaio
Salvador, 18.5.2000 AD
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