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Ao Pintor Diógenes Rebouças
e ao seu livro
Salvador da Baiha de Todos os Santos no Século XIX
Na hora grave em que os gurus meditam,
afasto minha visão da tela do computador
e vejo a vós, cúmulo-nimbos
baianas, gordas e barrocas,
arrastarem muito lentamente
seus ventres sobre o paliteiro
no qual transformou-se
minha Cidade do Salvador.
Nesse Espanto da Madrugada
tuas cores róseo-alaranjadas,
o ritmo caymmiano,
tuas formas volutuosas,
só acentuam a diferença
entre vós e Nossa Cidade
trans-formada.
Salvador da Bahia de Todos os Arranha-Céus.
Da Soterópole Ferida, 1/4/2000 AD
João Augusto Sampaio
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