Trota, e trotando vai,
meu irmão cavalo.
Passarela de asfalto,
meia noite,
sem trânsito 
automóveis ou humanos.

Trota, e trotando vai,
meu irmão cavalo.
Sem pressa ou aperreios,
livre dos arreios,
desfila sua dignidade
eqüina.

Trota, e trotando vai,
meu irmão cavalo.
Crina ao vento,
patas no asfalto,
com panca e elegância
desfila.

Pensa, e pensando trota,
meu irmão cavalo.
Vida humana,
vida animal.

E considera.
Os que lhe montam,
aqueles que transporta.
Sob chibatadas,
trotando os transporta
sem perder a dignidade
eqüina.

E assim trotando,
ruminando
e digerindo
capim e chibatadas,
caminha meu irmão
cavalo.


"Cavalo!, você é um cavalo!"

Homem,
jamais chame a um humano
"Cavalo!"
Nunca elogie quando queira ofender
a um humano.

Pasta, e pastando fica,
à beira-mar,
ruminando
sua dignidade eqüina,
meu irmão
Cavalo!

Carnaval
Cavalo
Carnavalo!



Da Série Resgate de Palavras
Em algum ponto da Bahia, 12/12/1999 AD, Carnavalo
João Augusto Sampaio, humano.



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