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Ao ver e ouvir
Diana Marinho cantar-te
trinta anos e picos depois, Janis J,
transito rápido de Salvador
para a Aldeia de Arembepe.
Vejo-te branca e ouço-te rouca
em busca da Luz e do Calor
humano e ambiente de Arembepe.
A cantora de blues, tua voz visceral
e corpo cansado novamente criança.
Tomas banho nua no Rio da Capivara Grande,
tornas-te pura e una.
Mergulhas e lagarteias ao Sol.
Cinco águas dispões em Arembepe:
água de rio e água do mar;
água de cacimba, água de chuva,
água de coco.
Do alto da duna, é cruel tua dúvida:
teu olho esquerdo visa o Atlântico, a leste;
o direito prefere a oeste o vale da Capivara Grande.
À noite ambos sobrem às estrelas.
Em terra, a fogueira, o peixe assado,
o violão e tua voz.
Aos trinta anos e picos depois, Janis J,
gostastes tanto.
Vejo-te avó
cantar um blues-de-ninar
para levar ao Sonho-Que-Não-Se-Acaba
teu neto mulato nascido
nas restingas baianas.
E a Poesia muda o
curso da História.
João Augusto Sampaio
Aldeia de Janis J, 1/4/2000 AD
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