Ajoelho-me e vejo meu cão
debaixo da cômoda de jacarandá-da-bahia.
Vejo então o que nunca havia.
Os debaixo das coisas, dos móveis.
Visão franciscana da vida.

E este ser que me vela,
espera-me nos embaixos do mundo.
E olha-me de baixo pra cima,
estando eu abaixado e agachado.

Dois olhos de gente
com dois olhos de bicho.
Animais para os quais dois santos pregaram.
Um louvando, enquanto o outro desancava
a raça humana, mesmo crendo.

Pus-me no lugar de meu cão.
Vi um mundo mais humano.

25/9/1999 AD
João Augusto Sampaio

 

 

 

 

química pura & aplicada

ara pacis avgvstvs

blues-de-ninar cavalo! a cidade das nuvens o extremo desconsolo do poeta de excrementos e deflúvios as fomes dos amores micropoema universo XXIX - ecologia franciscana micropoema universo XXX - a concisão esticada ao extremo timor em casa letras de sangue