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| A
extravagante Dorothy Parker
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Dominique
de Saint Pern
Tradução:
Glória de Carvalho Lins
Civilização
Brasileira - 350 págs. - R$ 36,00 (antes da alta do dólar...)
A
moça era o que se poderia chamar de baixinha abusada. Mignon, pouco
mais de 1,50 m, não levava desaforo para casa, bebia e brigava como
gente grande. E.escrevia e falava também. Por essas, principalmente,
e por algumas outras, é que Dorothy Parker se tornou uma das figuras
mais importantes, espirituosas e comentadas da América entre os
anos 20 e 30, tornando-se posteriormente cult (muito embora as novas gerações
não a tenham conhecido como deveriam). Frasista das mais ácidas,
ela era daquelas que, se mordesse a própria língua, morreria
envenenada. Só que com uma diferença: aproveitaria ao máximo
o momento.
"Dottie"
(como era chamada) podia perder o amigo, mas não perdia a piada
mesmo que fosse contra ela. Um exemplo? Casada com Alan Campbell, onze
anos mais novo, ela sempre se apresentava da seguinte forma: "Muito prazer,
sou a senhora Campbell. A mãe não, a esposa." Outra? Em uma
crítica que fez de um livro, ela destilou seu veneno de forma supersônica,
em poucas e afiadíssimas linhas: "Este não é um romance
para ser posto casualmente de lado. É para ser atirado longe, com
toda a força." Para qualquer escritor, isso seria o fim. O problema
é que o autor do tal romance era amigo dela. A piada havia vencido
de novo.
Dorothy,
que morreu em 1967 aos 74 anos, depois de uma vida agitadíssima,
entupida de uísque, cigarros e romances desfeitos, e com um final
bem amargurado (pouco antes de morrer, teria dito a uma amiga: "Se eu tivesse
um mínimo de decência, já estaria morta como a maioria
dos meus amigos"), acaba de ganhar sua primeira biografia editada no país.
Antes, a única coisa que o mercado tinha a respeito de Dorothy Parker
era a coletânea de contos Big loira e outras histórias,
lançada pela Companhia das Letras. A Civilização Brasileira
soltou, já há algum tempo, A extravagante Dorothy Parker,
da escritora francesa Dominique de Saint Pern, da qual se poderá
dizer com correção, ainda que acacianamente, que preenche
uma lacuna.
Aos
poucos, vamos tirando o atraso, mesmo que o livro de Dominique não
chegue a ser uma Brastemp. É que o livro comete um pecado mortal
: é correto na enumeração de fatos e personagens,
mas, comparado com a personalidade a que se dispõe a retratar, peca
por chatice. Nem por isso, contudo, deve deixar de ser saudado como uma
excelente oportunidade de reencontro com o mito Dorothy Parker e o vitríolo
de suas frases e o encantamento da revisita a um dos períodos mais
criativos da cultura do nosso século.
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A
POESIA DE
DOROTHY
(ao
dispensar gentilmente um marido insistente)
We'd
build a little bungalow
If
you and I were one.
And
carefully we´d plan it so
We'd
get the morning sun.
I'd
rise each day at rosy dawn
And
bustle gaily down;
[...]
If
you and I were one, my dear,
A
model life we´d lead.
We'd
travel on, from year to year,
At
no increase of speed.
Ah,
clear to me the vision of
The
things that we should do!
And
so I think it best, my love,
To
string along as two ( )
Love
song
My
own dear love, he is strong and bold
And he cares not what comes after.
His
words ring sweet as a chime of gold,
And his eyes are lit with laughter.
He
is jubilant as a flag unfurled--
Oh, a girl, she'd not forget him.
My
own dear love, he is all my world--
And I wish I'd never met him.
My
love, he's mad, and my love, he's fleet,
And a wild young wood-thing bore him!
The
ways are fair to his roaming feet,
And the skies are sunlit for him.
As
sharply sweet to my heart he seems
As the fragrance of acacia.
My
own dear love, he is all my dreams--
And I wish he were in Asia.
My
love runs by like a day in June,
And he makes no friends of sorrows.
He'll
tread his galloping rigadoon
In the pathway of the morrows.
He'll
live his days where the sunbeams start,
Nor could storm or wind uproot him.
My
own dear love, he is all my heart--
And I wish somebody'd shoot him. |
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a casa de Dorothy Parker
em New York
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FRASES COMO
NAVALHAS
"Só
exijo três coisas de um homem : que ele seja bonito, insensível
e burro"
(quando
lhe disseram que sua arqui-rival, Clare Boothe Luce, era muito gentil "com
os seus inferiores") "E onde é que ela os encontra ?!?"
"Essa
mulher fala 18 línguas e não sabe dizer não em nenhuma
delas" (comentário sobre uma moça intelectualmente prendada
e comportamento aberto que seus amigos elogiavam)
"Ali
jaz ele, vestido de cipreste / Recebendo a fina flor dos vermes"
"Este
não é um romance para ser posto casualmente de lado. É
para ser atirado longe com toda força"
"Brevidade
é a alma de lingerie"
"Fui
expulsa de um convento em Nova Iorque por insistir em que a Imaculada Conceição
não passou de uma combustão espontânea"
"Dinheiro
não pode comprar saúde. Mas eu me contentaria com uma cadeira
de rodas cravejada de diamantes"
(quando
lhe pediram que dissesse o epitáfio que gostaria de ter sobre seu
túmulo) "DESCULPE A POEIRA... "
"Dele
só ganhei até hoje uma flor / E tão terna,
mas com um coração à espreita / Pura,
púrpura, e tendo do orvalho o odor / Uma rosa perfeita.
/ Já conheço a linguagem do buquê /
"Nestas folhas frágeis / Meu coração se
estreita". / E imagino perfeitamente em quê : /
Numa rosa perfeita. / Bolas, por que nunca me dão
/ Uma bela limusine - ou...você não suspeita ?!?
/ Não, todos eles me mandam / Uma rosa perfeita"
(depois
do fracasso de suas inúmeras tentativas de suicídio) " Navalhas
machucam / Rios são úmidos / Ácidos mancham / E drogas
dão cãimbras / Armas são ilegais / Nós escorregam
/ Gás tem mau cheiro / É melhor viver"
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...E
EM INGLÊS ALGUMAS
COISAS
SOAM MELHOR....
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"Four
be the things I´d been better whitout /
Love,
curiosity, freckles and doubt"
"I
like to have a martini,
Two
at the very most.
After
three I'm under the table,
After
four I'm under my host!"
"Razors
pain you;
Rivers
are damp;
Acids
stain you;
And
drugs cause crarnp.
Gun's
arent lawful;
Nooses
give;
Gas
smells awful;
You
might as well live"
"It's
a small apartment, / I've barely enough room to lay / my hat and a few
friends."
On
learning that Calvin Coolidge was dead she remarked, "How could they tell?"
"Are
you Dorothy Parker?" a guest at a party inquired.
"Yes,
do you mind?"
"You
can lead a horticulture but you can't make her think."
"This
is not a novel to be tossed aside lightly.
It
should be thrown aside with great force."
"I
can't write five words but that I change seven."
"Brevity
is the soul of lingerie."
In
the street once Dorothy approached a taxi.
"I'm
engaged," the cabbie said.
"Then
be happy," she told him.
"Look
at him, a rhinestone in the rough."
"Salary
is no object:
I
want only enough to keep body and soul apart."
"You
know, that woman speaks 18 languages,
and
she can't say "no" in any of them."
"His
body has gone to his head."
In
a 1933 review of the play "The Lake" starring Katherine
Hepburn:
"Miss Hepburn runs the gamut of emotions from A to B."
"Men
seldom make passes at girls who wear glasses."
Of
the play "The House Beautiful":
"The
House Beautiful is The Play Lousy."
In
a New Yorker review of A.A. Milne's
"House
at Pooh Corner": "Tonstant weader fwowed up."
Another
book review:
"He
is beyond question a writer of power; and his power lies in
his
ability to make sex so thoroughly, graphically and aggressively
unattractive
that one is fairly shaken to ponder how little
one
has been missing."
For
her own epitaph: "Excuse my dust."
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