sangue das frutas
a hora cinza
poemas de uma prisão
manhã do século
sangue na aurora

 

 

MANHÃ DO SÉCULO

foi-se o tempo
em que boiava no dilúvio
houve tempo em que andava nos bolsos da maldição

nas praças públicas noite que cai
nas essências cinzas das tardes
não perca seu tempo

nos suores da ausência
na calmaria aparente dos pêlos
nos letreiros de sangue
que invade teu quarto
nas manchas do medo
revolver da sombra

este poema simples & verdadeiro


há em nós
uma praça íntima e coletiva
que sai lentamente pra esta praça externa e individual
há em nós uma rua imensa na extensão dos mortos
que ainda não foram recolhidos

está em nós esta expedição de resgate do futuro
antigas histórias algumas vezes repetidas
que nunca existiram

está em nós o desejo íntimo da transformação da vida

em nós o tempo que será


a palavra se fará
nova & condizente
com teu corpo

aurora que comemos com a mão
na relva macia do futuro

palavras que são
nossas velhas armas do sótão
palavras
 que superam este poema



 

o perfume do almoço
invade o final do orgasmo
a vida é a continuidade

espalhar-se na grama
teu corpo imenso
que cresce

o século futuro
ao virar da página
 

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