Ai, ai, ai... de como Liapoesia não consegue lidar com a fragmentação, 
tenta uma análise borges-freudiana do non-sense 
e aproveita pra implorar ajuda à red cat.
. . Por um momento, pôde voltar a sentir um certo domínio sobre sua situação, alguma praticidade. Tinha que retomar o objetivo em busca do qual viera a essa cidade, arrastando o novo marido. Talvez em algum lugar próximo encontrasse a paisagem, o rio de areias marrons e quentes de suas lembranças e sonhos. Precisava encontrar Elias, o homem que lhe enviara fotos nas quais reconhecera a mesma cor profunda da mata. Chegara a ouvir o rio cantando, ao olhar as imagens retratadas.

Havia meses sentia-se assim. Feita de cristal oco. Sem substância. Sem personalidade. Transparente. A vida sem sentido, sem começo e sem fim. Era como se a cada momento mãos estranhas desenhassem seu corpo e jeito, seus atos e delírios. Sentia-se personagem de um folhetim escrito a 500 mãos. Fragmentada. Personalidades a invadiam e conduziam seus sentimentos e percepções, mudando a realidade em estranhos filmes e velhos livros da adolescência. Não imaginava o que veria atrás da porta do hotel se a abrisse novamente.

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Mas era preciso tentar, pois sabia que, no meio desse furacão de acontecimentos, havia um fio vermelho, felino, sinuoso que unia tudo e que um dia a levaria ao rio, origem e destino de si mesma. Um fio que pulsava a cada ato. Temia que o cristal de que se sentia feita explodisse definitivamente nas centenas de rostos e corpos que assumiu e que amou.

A única coisa que lhe dava um gosto de existência real era o gozo – louco, múltiplo, lento ou aos saltos, em ondas furiosas. Agora mesmo precisava disso. Não respondeu. Resolveu não se apressar mais.... Lutar contra o ritmo repetitivo imposto pelo desejo.

Queria se deter em um único centímetro da pele suada. Logo abaixo do mamilo esquerdo. Sabia que poderia chegar ao orgasmo sem unir corpos. Só explorando os limites possíveis da língua em ângulo afiado tocando os três pêlos finos que a olhavam daquela área deserta – o monte mamilo emoldurando imponente. Adivinhava uma artéria correndo ali sob a terra úmida. Prendeu a respiração para não modificar a paisagem que tomava conta de seu desejo. A aproximação foi lenta, lentíssima. Conseguiu perceber o exato momento em que a ponta do pêlo cutucou a língua. Um tremor percorreu seu rosto. Atingiu as pálpebras e a face afogueada. O corpo deu um salto curto e seco, como naqueles sonhos em que a gente cai de repente. . .
 


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