De como Turrão turra e volta com a Margarida

 
Deixou os pensamentos à deriva de sua mente que lhe traziam flashs daqueles momentos que, embora poucos, tanto lhe calaram e insistiam em ir e vir incontrolavelmente. O olhar na sacada, que lhe penetrara os seios atingindo a alma, causando-lhe arrepios e um estranho desejo de, nem que ao menos por uma vez fosse, senti-lo mais profundo e íntimo, não lhe saía da mente.
Que instinto esse que a fazia frágil, desejando fortemente o estranho? Ela que vivida, prática, nunca se dera a esses devaneios?
Balançou a cabeça, precisava ordenar os pensamentos, colocá-los nos trilhos da razão, não permitindo que aquela quimera se impusesse à realidade. “– Desculpe o mau jeito...”, sentira um breve rubor a afagar-lhe a face.
Merda, onde estava o timão que insistia em deixá-la à deriva nessas águas nunca dantes navegadas? Já que lutar contra elas mais as fazia aflorar, deixou-se assim estar, gostosamente embalada pelas lembranças.
E viu-se novamente diante ele, já agora naquele quarto de hotel; leve tremor de mãos suadas, coração acelerado, boca seca, vulva ardente, palpitante de desejo a denunciar a ansiedade que tomava conta de seu corpo clamando silenciosamente pela espada que haveria de incrustar-se em suas entranhas dilacerando novas emoções. Ah, tesão.
Sentiu-o aproximar-se, acariciando-lhe o rosto, beijando-a terna e sofregamente enquanto suas mãos deslizavam pelos seus contornos como que a medir a excitação do corpo, detendo-se nos seios que por sob a blusa arfavam triunfantes.
Assim abraçada, sentiu em seu ventre o contato daquele pau duro e afagando-o com a mão imaginava os prazeres que poderia arrancar-lhe e, sem mais senões, foi libertando-o para que se mostrasse por inteiro. O pudor onde estava, que não se mostrara ante o desconhecido? Quiçá jogado a um canto junto com as roupas de que se despojaram ao deitar-se.
Beijava-lhe pescoço, peito, ventre, detendo-se no pinto que impaciente aguardava pela sua boca. Não se fez por esperar. Foi passando a língua pela glande, dando-lhe beijinhos e introduzindo-o aos poucos boca adentro pressionando-o entre a língua e o céu da boca.
Atendendo aos apelos de sua gruta, como que lacrimejante suplicando o gozo, foi-se virando para que também ela usufruísse de uma língua quente. E assim, sussurros e ais se misturavam sem saber-se ao certo de onde brotavam e o gozo contido parecia querer explodir a qualquer momento.
Lembrava-se ainda que, quase no clímax, pedira-lhe aos gritos: “– Meu amor, me fode, vem comer tua puta, enfia esse caralho gostoso todo dentro de mim, me faz gozar... vem, paixão, vem..."
E tal qual animal domado, atendendo-a, pôs-se a cavalgá-la como se potra fora. Roçar de corpos, suores misturados, cheiros, lábios mordiscados, movimentos frenéticos e incontroláveis, aquele pinto ardente a penetrar-lhe infidavelmente as profundezas de sua gruta, afagado pelas contrações de sua vulva ensandecida quase a tocar as raias da prazerosa loucura.
E enfim se fez presente o gozo intenso, como que explodindo em múltiplos luzeiros por todo seu ser inundado pela porra quente que jorrava abundante, lategando suas entranhas. Foi lentamente entreabrindo os olhos, ainda com as mãos umedecidas entre as pernas, levando os dedos à boca, lambendo-os como a sorver o gozo há pouco tido.
– O que foi? – perguntou-lhe, ao lado, o marido, acordando pelos agitos da fiel esposa.
– Nada não amor – respondeu-lhe espreguiçando-se, deixando os devaneios quase que de lado enquanto procurava voltar à realidade. – Gostou desta noite? Foi bom? Você gozou gostoso?