| Che abre portas e janelas, deixa o vento carregar a heroína para as ruas e revira perspectivas. |
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| O vento na cara teve o efeito de um beliscão. Caminhava a passos contidos, mas resolutos. Um jornal, um café em outro local, o mais longe possível do hotel. Chega de barcos, piratas, ciganos, gigolôs, império dos sentidos. Isso que dá três anos sem férias. | |
| - Com licença, creio que nos conhecemos... |
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| - Como? | |
| - Margarida, você se chama Margarida. Não me reconhece? Alice, fizemos o colegial juntas.... | |
| O jornal ficou para depois, tomamos o café, relembramos aventuras estudantis. Alice vive aqui, mora só, nunca casou e é uma pessoa bastante agradável. Fomos até sua casa, assunto não faltava. É advogada, falamos sobre meu divórcio e ela me disse que é comum o tal mergulho no trabalho após o fim de uma relação. | |
| Um copo de vinho, Nat King Cole... | |
| - Lembro bem de você agora, Alice: sentava no fundo da sala e eu te achava metida a besta, não conversava com ninguém... | |
| - Sempre fui meio fechada, mesmo. | |
| - Curioso... | |
| - O quê? | |
| - Tua abordagem na rua... | |
| - Sempre te achei interessante... | |
| Sua mão entrando em meu cabelo, acariciando-me a nuca, deixou-me como que suspensa no ar. | |
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De como Tonica experimenta
conhecer
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| Tudo era mais delicado. O hálito era mais leve, a boca mais macia, a língua ... ai, a língua!, mais curiosa. | |
| Era estranho e familiar conhecer aqueles peitinhos com a boca, mordiscá-los como ela sempre desejou que os homens fizessem com os seus, naquele limite delicioso de quase dor. Tudo era mais suave, mais quentinho. Por um instante pensou na sua própria mãe. Mexeu a cabeça tentando se livrar do pensamento inoportuno, deu um pequeno gemido involuntário, que só serviu para que Alice se excitasse ainda mais. | |
| Nunca tinha tinha visto uma xoxota cheia de desejo, molhada, viva. Nunca tinha sentido o calor, a umidade, o cheiro que parecia o seu. Vencido o medo do igual, tudo era fácil. | |
| Sabia tudo o que devia fazer, conhecia o imaginário feminino e a repercussão que provocava nele, ser chupada sem pressa, ser surpreendida por uma boca cheia de dedos. Porque se reconhecia não buscava no olhar de Alice a confirmação da pressão, do movimento, dos caminhos. Sabia tudo, por que sentia tudo... | |
| Curiosa aquela experiência em que a ausência não era falta. Logo ela que adorava um pau... | |
| Mas assim como Alice veio, Alice foi. Na verdade quem foi, foi ela mesma, Margarida, que descobriu ali que dormir com alguém é mais intimo que trepar . Se sentiu um pouco como homem, que veste a roupa e vai embora e deixa Alice insegura e ansiando. Sabia que não voltaria, mas também como homem, é claro, prometeu. | |
| Nem o vento na cara de novo a livrou do incômodo de se sentir um pouco poderosa. Porém, como toda boa Margarida sabia: tinha sina para ser desfolhada. O dia tinha sido longo e o dente de ouro não saía da sua cabeça. | |