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(e a história volta a ponto nenhum). |
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| Súbito,
ela deu-se conta de si. Deu-se conta do recepcionista. Deu-se conta do
vazio lá fora. Lembrou-se do barco, do rio, do sonho. Do estampido.
Deu-se conta de que seu ser, sua existência, haviam sido tragados pelo delírio da luxúria. Pela volúpia de paixões. Seu corpo ainda excitado, desejava o recepcionista como desejaria qualquer outro homem que ali estivesse. Qualquer macho. Qualquer. Sentou-se. O recepcionista hesitara ao vê-la imóvel. Havia reconhecido todos os sinais de um caminho fácil, de uma transa descomplicada e sem cobranças. Mas, de repente, ela ficou imóvel. O recepcionista não entendeu, não podia entender. Aquela mulher era louca? Ou queria sexo? Ou... não!... ele simplesmente não conseguiu entender, e afastou-se. Ela continuava imóvel. Fechou os olhos, para afastar de sua mente o lampejo do dente de ouro. Para afastar o desejo de beijar o ascensorista só para lamber-lhe o dente de ouro. Para afastar o desejo. |
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| Suspirou.
Seu corpo estava cansado, dolorido. Suas entranhas ardiam, incômodas.
Seu sexo latejava, misturando a dor do desejo à dor do ato repetido
bruscamente, brutalmente, frouxamente, rapidamente, languidamente, vezes
sem conta...
Deu-se conta de si. Encolheu-se e abraçou os joelhos. Um sonho dançou em sua mente, enquanto naquela posição. Em seu sonho, ela aproximou-se da mesa onde ele estava com mais dois senhores e disse: – Desculpa o mau jeito... Sorriu e abriu os olhos. Espreguiçou-se. Não viu o ascensorista. Levantou-se, dirigiu-se para a porta. Abriu-a. |
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desenho de Overtake |
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