| Overtake
decide conduzir a heroína para uma região imprevista, assinalando
nova virada no enredo.
Chegando ao restaurante ela parou de súbito. Não tinha fome. O que estava fazendo ali? Queria apenas uma saída... Deu meia-volta, passou pela recepção e foi em direção da entrada. Entrada, saída... – A senhora vai sair? Surpresa, ela se voltou na direção da voz e ficou intrigada com o ar de surpresa, quase medo, no rosto do recepcionista. Assentiu, com um começo de sorriso, porém o medo continuou ali. Mas estava envolta demais em sua própria mente, sua história, seus desejos, sua busca, para perceber o indício. Lembrou de um sujeito estranho, um gordo sorridente que uma vez virou-se para ela no meio de uma festa, gritando para se fazer ouvir acima do som de Hendrix e perguntou "um sujeito absolutamente feliz fica parado, imóvel, com um sorrisinho nos lábios, até morrer?". Aquela pergunta sempre lhe parecera estúpida, mas agora, de repente, fazia sentido. Sim, nos mexemos porque queremos algo mais... Ao tocar na maçaneta (nossa, como está fria!) da porta afastou a idéia, pensando que lhe faria bem andar pelas ruas, que a vissem, ser paquerada, atrair olhares, quem sabe conhecer alguém... Abriu a porta e parou. Ficou branca. Branca como o branco que havia lá fora, um branco intenso como uma luz forte, que no entanto não feria os olhos. Era nada! Não havia nada ali! Não importava para onde olhasse, era tudo branco. Sem horizonte, sem nada! Veio uma imagem do gordo falando, dizendo que para os ocidentais a perfeita felicidade está sempre mais adiante, enquanto que para os orientais a perfeita felicidade é o vazio, a mente branca... Assustada, ela fechou rapidamente a porta e largou a maçaneta como se a tivesse queimado. Virou-se a tempo de ver o recepcionista baixar os olhos. Agora entendia o olhar de susto dele. Mas então, era verdade que não havia nada do lado de fora? E ele sabia? Como...?! Sentiu que sua mente começava a ficar branca, mas não de felicidade e sim porque estava desmaiando. |