Pine, considerando que pode estar havendo uma certa confusão entre personagens e situações, mistura a realidade dos fatos e o desejo de vivê-los.
 

Novamente o barco, o rio, o sonho. Ela abriu os olhos e ficou tentando perceber o que realmente acontecera naquela noite e no dia anterior, o que era sonho, o que era verdadeiro, terrível. A cama estava úmida. Suor, esperma?

Tocou-se. Estava molhada e dolorida. Lembrou-se de ter estado, nua, na varanda do quarto. Lembrava-se de um rosto a observá-la.
Havia o rio, havia o barco... Seria só sonho?

Levantou-se e, desta vez vestida, chegou à varanda e ali ficou em suas cismas. Há muito não sentia as tranqüilidades do rio verdadeiro. Onde ela gostaria de estar em busca do tempo e dos amores perdidos.

Apareceu novamente o homem. Mas, sem bigode, rosto agradável. Bem diferente do homem com quem ela tinha se envolvido, em sonho ou em realidade, naquela manhã. No sonho depravado, ou no sexo, também depravado, de qualquer maneira ambos angustiantes. Numa mistura terrível de prazer e horror. O homem sorriu. Ela saiu dos seus devaneios e também sorrindo, voltou ao quarto.

Deitou-se. Lembranças envolveram-na. Lembranças?

Via-se na beira de um rio, um barco chegando, trazendo O Homem que ela esperava. Se abraçavam. Ele tocava-lhe levemente as pernas, a coxa. Tocava-lhe o seio. E em pouco, sobre a relva gemiam de prazer. Depois, cansado, ele, com os pés brincando na água do rio, punha a cabeça sobre seu ventre, boca e nariz roçando seus pêlos, seus pentelhos. Dizia que gostava do cheiro de fêmea. Descansavam alguns minutos assim. Por vezes a mão dele subia por suas coxas até chegar no ponto mais sensível de seu corpo. Os dedos penetravam-na delicadamente e o ponto era pressionado por eles e pela língua gulosa dele. Logo, ela mudava de posição para poder tomar o pênis na boca. Em pouco, todos os pontos dos dois corpos eram tocados, beijados e sugados...

Com um estremecimento ela voltou ao presente. E a angústia retornou. Quem era ela? A amante à beira do rio ou a devassa da noite?

Pensou em voltar àquela margem onde, segundo suas lembranças, se esgotava com a enorme alegria e prazer do sexo sem limites e sem fim...

Vestiu-se e desceu para o restaurante.