Perguntava-se
como podia ser uma e ser outra, ser tantas e não ser ninguém,
estar tomada e plena diante de si mesma, abandonada ao sentido máximo
que da existência já provara.
Ficou
por longos minutos mansa, quieta, frente ao vazio do fim da festa bem-celebrada
a acolhê-la, de modo que experimentava um daqueles momentos da vida
em que nada se reclama nem espera nem deseja.
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Cor
de Mar vira gata dengosa e mostra o que realmente importa em questão
de língua e linguagem.
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Pouco
depois de entregar-se à petit mort, deixou que lhe viessem os rumores
de mundo afora, mas antes que a lua confundisse a nascente de seus gemidos
e seus ais – romance é de outro departamento? –, ouviu mais uma
vez a voz do homem, a dispersá-la da inércia, da preguiça.
Feito
gata dengosa, cadela safada, começou a acariciar-lhe o corpo com
os pés, enquanto falava baixinho coisas que nunca ousara antes.
Movia-se languidamente e agia como quem reconhecesse estar capturada pelo
calor de seu macho. Para ela, isso era liberdade.
Não
permitirei que a palavra "menas" atrapalhe o prazer dos dois. Todo mundo
erra. Meu homem – gostoso, tesudo – fala degrais. E já cansou de
me dizer que não se fala no telefone mas ao telefone. Há
um tempo na vida em que se aprende sobre o caráter possível
do que chamamos perfeição: uma bela gozada, dessas que faz
bom humor no dia seguinte.
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Assim,
para além do que podia compreender da própria linguagem,
a fêmea da nossa história queria língua enrolando língua,
em bom português de quatro paredes, de rede pendurada em varanda,
água de mar, esconderijos e becos onde se pode deitar e rolar. Queria
ouvir e dizer as maiores barbaridades, tudo outra vez.
A
chance de novos arrepios, a mão daquele homem apertando-lhe as pernas
e pedindo-lhe que fosse beijado, abraçado, invadido, mamado, de
todas as maneiras, anunciavam que ainda não era tempo de partirem...
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