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Ambígua, fazendo jus ao nome, tenta salvar o cardápio mas se esquece dos rumos da história, tira o casal da cama e o traz de volta para o restaurante, obrigando Red Cat a dar uma alinhavada no enredo antes de passar a bola pra frente. |
![]() ilustração: marcos fernandes |
Freitas juntou-se ao
casal que o chamara. Sorvendo goles de café, lutando ainda com a
massa do croissant na boca e com a imagem de Ângela na cabeça,
não percebia o que tinha diante de si. Neste momento sentiu uma
mão em seu ombro, virou-se e reconheceu Ângela de pé
ali a seu lado, com os mesmos olhos devoradores de antes. Em segundos,
com o mesmo desejo desmedido de sempre, ela já estava sentada e
seus pés e mãos impacientes não esperavam, começando
as carícias. Freitas contorcia-se de prazer e desejo, o que era
percebido por todos. Não havia como esperar, levantaram-se e saíram
deixando ali cheiros, fluídos...
No quarto, Ângela não esperou que ele se manifestasse, puxou-o pela mão, firmemente, decididamente, arrancou sua roupa e foi despindo-o lentamente. Via aquele homem se transformando num menino amedrontado pela loucura do desejo, seu próprio desejo com isto tomando outra forma naquele novo objeto. Não, não era ela, era sua língua que partia como um barco, como um rio, para ganhar a escuridão da mata. Uma pontinha de língua que percorria os pêlos espessos do bigode e depois brincava de esconde-esconde nos cantinhos daqueles lábios que já se entreabriam, sua língua que encontrava outra língua quente, que também barco, também rio, largava-se em seu próprio rumo... rumo ao queixo, rumo às orelhas, pescoço, nuca, ombros, cintura, bunda. Uma língua percorrendo um rego... |