Janela
feche a janela,
há uma
corrente
de ar
aqui,
há um
frio
intenso
aqui,
há uma
faca
cravada
aqui.
feche a janela,
aferrolhe,
não deixe
que entre
essa sombra,
esse não,
essa falta
de ti.
feche a janela,
eu sei que é
hora,
me deixe velar
esse amor
desconexo,
o pacto
desfeito,
tua voz
quebrada,
essa ausência
em mim.
feche a janela,
vamos,
me deixe inventar
outra história
pr’este fim
de folhetim.
feche a janela,
ande.
desconecte,
plis.
25/06/97 16:32 |
Ar
cênico em arcos
* Arco 1
Uma flecha
no chão.
Uma bergère,
um arco.
Diana repousa
sob uma luz de
Veermer.
Pela fresta do
verso,
Cyrano espreita.
* Arco 2
Era bem desses
dias
de ir à
janela
medir o vôo
de Ana C.
Era bem desses
dias
de retesar em
arco
a queda livre.
Era bem desses
dias
de um ato só.
* Arco 3
Festa adiada,
apagam-se a luzes
dentro do coeur.
Jaz o libreto
no arco
do palco deserto.
11/12 de setembro
de 1997
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