Laser sobre prata  
numa das luas de Netuno 


 
 

                              nuvens encapeladas
lambem os fantasmas 
dos navios-fantasmas
negros novelos negros navios
nos meandros de chumbo do céu
um azul-marinho de peixes
um lago de peixes no mar revolto
clarabóia
onde mergulho
por entre estrelas-peixes-fosforescências
para olhar a Terra de fora.
tua voz me chama de Tríton
uma das  luas 
de Netuno
onde serei tua
com meus cabelos líquidos
meus seios de mãe-dágua
meu sexo de algas
não há em Tríton
navios-fantasmas vistos da Terra 
nada há além-mar
exceto
nosso brilho de laser
no mar prateado
de uma das luas de Netuno.
 
Em algum ponto do Cosmo
Em algum momento do Tempo
 
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