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de a a f |
...pela democratização das citações,
um pequeno supermercado delas...
(ler com a "ótica" dos
anos vinte)
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Ab imo pectore ou imo pectore (Do fundo do peito, do fundo do coração).—Felicitar alguém ab imo pectore. Ab origine (Desde a origem). — Recomeçar a narração dos fatos ab origine. Ab ovo (Desde o ovo).— Alusão de Horácio (Arte poética, 147) ao ovo de Leda. Horácio louva Homero por não haver começado a narração da guerra de Tróia ab ovo, isto é, desde o nascimento de Helena. Ab urbe condita (Desde a fundação da cidade).— Os Romanos datavam os anos ab urbe condita ou urbis conditae, desde a fundação de Roma, que corresponde a 753 AC. Abusus non tollit usum (O abuso não tira o uso). — Máxima do direito antigo: o abuso, que se pode fazer de uma coisa, não deve obrigar necessariamente a abster-se dela. Abyssus abyssum invocat (O abismo chama o abismo).—Expressão de um salmo de David. Significa que uma falta origina outra. Acta est fabula (Está representada a peça).— Palavras com que, no teatro antigo, se anunciava o fim da representação. Foram também as últimas palavras de Augusto antes de expirar Ad augusta per angusta (A resultados sublimes por veredas estreitas).—Palavras de sinal dos conjurados, no ato IV do Hernani de Victor Hugo. Não se chega ao triunfo, sem que haja graves dificuldades a vencer. Ad hoc (A isto; para isto).— Uma lei ad hoc, uma lei feita para as circunstâncias; Um homem ad hoc, um homem especialmente competente na matéria de que se trata. Adhuc sub judice lis est (O processo está ainda sujeito ao juiz).— Hemistíquio de Horácio (Arte poética, 78),referente à questão controversa da origem do ritmo elegíaco. Emprega-se esta locução para significar que a questão se acha ainda pendente. Ad libitum (À escolha, à vontade).—Locução empregada em música, para indicar que o trecho pode ser tocado no movimento que mais agradar ao executante. Ad limina apostolorum (Ao limiar dos apóstolos) — Perífrase que significa: a Roma, à Santa Sé. Diz-se abreviadamente: fazer uma viagem ad limina. Ad majorem Dei gloriam (Para a maior glória de Deus) — Lema da Ordem dos jesuítas, cujas iniciais A. M. D. G. servem de epígrafe à maior parte dos livros emanados desta companhia. Ad patres (Para os antepassados).—Ir ad patres, morrer; expedir ad patres, mandar para o outro mundo. Emprega-se familiarmente, Ad perpetuam rei memoriam (Para perpetuar a memória do fato).—Fórmula que se inscrevia no aIto de certas bulas pontifícias e que se encontra igualmente em monumentos comemorativos, medalhas etc. Ad unguem (Com a unha).—Expressão de Horácio (Sátiras, I, 5, 32); alusão ao polimento que se obtém passando a unha sobre a superfície, que se quer tornar bem lisa. Versos ad unguem, versos esmeradamente polidos e trabalhados. Saber uma coisa ad unguem, sabê-la na perfeição. Ad vitam aeternam (Para a vida eterna). — Para sempre. Aequo animo (Com ânimo igual). — Suportar aequo animo os golpes da adversidade, suportá-los com serenidade e constância. Alba lapido notare diem (Marcar um dia com uma pedra branca).—Considerar feliz certo dia. Costume dos antigos Romanos, para quem o preto era símbolo da adversidade e o branco era símbolo da prosperidade. A l'oeuvre on connait l'artisan
(Pelo trabalho se conhece o artífice).— Verso de La Fontaine,
na fábula Os Zangãos e as abelhas, e que tem freqüentes
Amicus humani generis (Amigo do gênero humano). — Amigo de toda a gente; o mesmo é dizer: amigo de ninguém. Angulus ridet (Sorri-me este cantinho). — Expressão, que Horácio (Odes, II, 6, 13) aplicou a Tarento e que se pode citar a propósito de qualquer sítio que nos agrade. Animus meminisse horret (Minha alma freme de horror ao recordar estas coisas). — É por estas palavras que Enéias (Eneida, II, 12) começa a dolorosa narrativa do cerco de Tróia. Ante mare, undae (Antes do mar, as águas). — A causa precede o efeito; o todo resulta da reunião das partes. Para ter uma esquadra, são precisos navios : Ante mare, undae. Aperto libro (De livro aberto).—Isto é, sem auxílio de dicionário : Traduzir Horácio aperto libro. A quelque chose malheur est bon (Para alguma coisa serve a desgraça. — Por vezes, de um acontecimento desastroso resulta uma conseqüência útil ou feliz. Aquila non capit muscas (A águia não se entretém em apanhar moscas). — Emprega-se para exprimir que um espírito superior não deve ocupar-se de questiúnculas indignas de si. Argumentum ad crumenam (Argumento à bolsa) — Quando escasseiam boas razões para vencer, abrem-se os cordões à bolsa. Argumentum baculinum (Argumento de cacete) —Em vez de argumentos, pancada. Ars Ionga, vita brevis (A arte é longa, a vida é curta). — Tradução latina do primeiro aforismo de Hipócrates. (Ho bios brakhus, hé de teckhné makré) Asinus asinum fricat (O burro esfrega o burro). — Diz-se de duas pessoas que se dirigem mutuamente exagerados cumprimentos. Audaces fortunat juvat (A sorte favorece os audaciosos) —Locução imitada do hemistíquio de Virgílio (Eneida, X, 284): Audentes fortuna juvat. Audi alteram partem (Ouve a outra parte). — Para julgar com imparcialidade, deve-se ouvir a defesa depois da acusação. Aurea mediocritas (Áurea mediocridade). — Expressão de Horácio (Odes, II, 10, 5), para indicar que uma farta mediania é a condição a todos preferida. Auri sacra fames! (Execrável fome do ouro).— Expressão de Virgílio (Eneida, III, 57). A vaincre sans péril, on triomphe sans gloire (Quando se vence sem perigo, triunfa-se sem glória).— Verso de Corneille (o Cid). As vitórias fáceis não dão glória ao vencedor. Beati pauperes spiritu (Bem-aventurados os pobres de espírito). — Isto é, os que sabem desprender-se dos bens do mundo. Palavras do Sermão da Montanha (Evangelho segundo S. Mateus, V, 3), que, por uma deturpação do seu sentido, é uso empregar ironicamente para designar os ignorantes favorecidos pela sorte. Beati possidentes (Felizes os que estão de posse) Locução tendente a exprimir que, para reivindicar um direito à propriedade de uma coisa, o melhor é começar por lançar mão dela. Bis dat qui cito dat (Duas vezes dá quem dá depressa) —Provérbio latino que exprime que um serviço duplica de valor quando é prestado prontamente. Calomniez, il en reste toujours quelque chose (Caluniai, sempre alguma coisa fica). — Aforismo cínico, que se atribui geral mente ao Basílio do Barbeiro de Sevilha, de Beaumarchais, mas cujo verdadeiro autor é desconhecido. Carpe diem (Aproveita o dia presente). — Locução de Horácio (Odes, I, 11, 8), que nos recorda que a vida é curta e que devemos gozar dela sem desperdiçar o tempo. Carpent tua poma nepotes (Teus netos colherão os teus frutos). — Segunda parte de um verso de Virgílio (Éclogas, IX, 50). O homem não deve unicamente pensar no presente e em si próprio, senão também no porvir e nos vindouros. Cave ne cadas (Cautela em não caíres). — Advertência que, ao triunfador romano, para que se não deixasse possuir de orgulho, dava um escravo colocado atrás dele. C'est un droit qu'a la porte on achète en entrant (É um direito que se compra à porta ao entrar). — Verso de Boileau (Arte poética, III, 150), que consagra o direito que tem o espectador de manifestar o seu desagrado no teatro. Chassez le naturel, il revient au galop (Expulsai a natureza e ela voltará a galope). — Verso de Destouches na comédia O Glorioso (ato II, cena V). Exprime a idéia de que debalde se procura violentar a própria índole; esta não tarda em se impor novamente. Chi va piano, va sano (Quem vai devagar, vai com segurança). — Provérbio italiano que se completa com : Chi va sano, va lontano, quem vai com segurança vai longe. Cogito ergo sum (Penso, logo existo). — Silogismo de Descartes (Discurso do Método). Contraria contrariis curantur (Os contrários curam-se com os contrários) Máxima da medicina cIássica, em oposição à da homeopatia : Similia similibus curantur, os semelhantes curam-se com os semelhantes. Credo quia absurdum (Creio por ser absurdo). — Palavras erroneamente atribuídas a Santo Agostinho, que se limita a ensinar que a fé para crer não necessita de compreender. Dat veniam corvis, vexat censura columbas (A censura poupa os corvos e persegue as pombas). — Verso de Juvenal (Sátiras, II, 63). Cita-se todas as vezes que são perseguidos os inocentes e se deixam impunes os culpados De auditu (Por ouvir dizer). —Saber uma coisa apenas de auditu. Decipimur specie recti (Somos enganados pela aparência do bem) Horácio (Arte poética, 25). Refere-se apenas aos poetas, mas toda a gente se acha exposta à mesma ilusão. De gustibus et coloribus non est disputandum
(Gostos
e cores não se deve discutir). — Provérbio dos escolásticos
da ldade Média, que se cita para afloram que é livre cada
qual de pensar e agir como entende.
Dente lupus, cornu taurus petit (O lobo ataca com os dentes, o touro com os chifres). — Palavras de Horácio (Sátiras, Il, 1, 52). Serve-se cada qual das armas que a natureza lhe deu. Deus ex machina (Um deus que desce por meio de uma máquina). — Expressão que designa a intervenção, numa peça de teatro, de um ente sobrenatural que, por meio de um mecanismo baixas sobre a cena; e que, no figurado, se aplica a pessoa cuja influência é preponderante numa empresa ou negócio. Deus nobis haec otia fecit (Foi um deus que proporcionou estes ócios). —Passagem (Virgílio, Éclogas, I, 6) em que o poeta, sob o nome do pastor Titiro, conta a outro pastor que obteve de Augusto a restituição do seu patrimônio. Diem perdidi (Perdi o meu dia). — Palavras de Tito (segundo Suetônio), quando passava um dia sem haver tido o ensejo de praticar uma boa ação. Dies irae (Dia da cólera). — Primeiras palavras e título de uma das quatro prosas do missal romano que se cantam nos ofícios fúnebres. Dis-moi ce que tu manges, je te dirai qui tu es (Diz-me o que comes, dir-te-ei quem és). — Aforismo do gastrônomo Brillat-Savarin; pretendia ele que a inteligência e o caráter de uma pessoa se traduzem na escolha das iguarias com que se alimenta. Displicuit nasus tuus (O teu nariz desagradou).— Hemistíquio de Juvenal (Sátiras, VI 495). Emprega-se num sentido mais largo do que o do texto original, aludindo a alguém que é vítima de um capricho ou de uma arbitrariedade. Donec eris felix, multos numerabis amicos (Enquanto fores feliz, terás muitos amigos). — Verso de Ovídio (Tristes, I, 1, 39), exilado por Augusto e abandonado pelos seus amigos, O sentido deste verso completa-se com o que se Ihe segue : Dubitando ad veritatem parvenimus (Duvidando chegamos à verdade). — Frase de Cícero (De officiis) que encerra em si o germe da teoria de Descartes sobre a dúvida. Esta conduz-nos à verdade, ensinando-nos a não aceitar qualquer proposição ou doutrina senão depois de cientificamente demonstrada. Ecce homo (Eis o homem). — PaIavras de Pilatos aos judeus (S. João, XIX, 5), quando Ihes mostrou Jesus Cristo coroado de espinhos e com uma cana nas mãos. Emprega-se quando se anuncia alguém ou falando-se de si próprio. Ego sum qui sum (Eu sou quem sou). — Isto é, Eu sou o Ser dos seres, o Ente supremo. Palavras de Deus a Moisés (Êxodo, III, 14) Eheu ! fugaces labuntur anni (Ai de nós ! Os anos fogem rápidos). — PaIavras melancólicas de Horácio (Odes, II, 14, 1), que traduzem a celeridade com que a vida passa. Ejusdem farinae (Da mesma farinha). — Locução que se emprega geralmente em mau sentido, aludindo a pessoas que têm os mesmos vícios ou defeitos. Eli, Eli lamma sabacthani (Meu Deus, meu Deus, por que rne abandonastes?). — PaIavras (hebraicas) que Jesus Cristo pronunciou ao expirar na cruz (S. Mateus, XXVII, 46; S. Marcos, XV, 34) En toute chose il faut considérer la fin (Em tudo devemos considerar o fim) Verso de La Fontaine, na fábula A raposa e o bode, que nos aconselha a não tentar qualquer empresa sem ponderar o desfecho que ela pode ter. E pur, si muove! (E contudo, ela move-se!). Palavras italianas, que se diz ter Galileu pronunciado depois de haver sido obrigado pelo Santo Ofício a abjurar a pretendida heresia de que a Terra gira sobre si mesma no espaço. Errando, corrigitur error (Errando, se corrige o erro). — Emprega-se para indicar que, com a práticas, se vai pouco a pouco adquirindo saber ou destreza. Est modus in rebus (Em todas as coisas há uma medida). — Pensamento de Horácio (Sátiras, I, 1, 106), que é um conselho de moderação. Et ce n'est pas pécher que pécher en silence (Pecar secretamente não é pecar). — Verso de Molière (Tartufo) e que explica bem a moral hipócrita do protagonista da peça. Et la grâce plus belle encor que la beauté (E a graça ainda mais bela que a beleza). — Verso de La Fontaine, no poema Adonis, que se aplica geralmente a quem supre a beleza física pelo talento de agradar. Et, monté sur le faite, il aspire a descendre (E, chegado ao fastígio, aspira a descer). — Verso de Corneille (Cina, Ato II), que traduz o sentimento de saciedade que rapidamente se apodera dos que realizaram todas as suas intenções Et par droit de conquête et par droit de naissance (Não só por direito de conquista como por direito de nascimento). — Verso de Voltaire (Henríada, canto I) alusivo a Henrique IV, que, devendo suceder legitimamente no trono de França, teve de conquistar o seu reino à ponta da espada. Et voilá justement comme on écrit l'histoire (E ora, aí está como se escreve a história) Verso de Voltaire (Charlot, ato I). Geralmente, diz-se apenas Et voilá comme on écrit I'histoire, e emprega-se quando se ouve ou lê narração inexata de um fato. Eureka (Achei).— Exclamação, que se tornou proverbial, de Arquimedes ao descobrir, no banho, a lei do peso específico dos corpos. Ex aequo (Com igual mérito). Os dois candidatos obtiveram o primeiro prêmio ex aequo. Ex commodo (À vontade, a seu cômodo).—Não há pressa desse trabalho; pode fazê-lo ex commodo. Ex nihilo, nihil (De nada, nada).—Aforismo tirado de um verso de Pérsio (Sátiras, III, 24) que começa por De nihilo nihil (Nada foi tirado de nada), isto é, nada foi criado, pois tudo que existe sempre existiu. Este aforismo resume a filosofia de Lucrécio e de Epicuro. Ex ore parvulorum veritas (A verdade sai da boca das crianças).— As crianças não sabem dissimular a verdade. Ex professo (Como quem está inteiramente senhor da questão). — Falar de um assunto ex professo. Ex toto corde (De todo o meu coração). — Fórmula afetuosa, que se emprega familiarmente como fecho de carta. Ex ungue leonem (Pela garra [se conhece] o leão). — Aplica-se quando se reconhece numa obra de arte ou de ciência o cunho de um grande mestre. Facit indignatio versum (A indignação faz brotar o verso). — Expressão de Juvenal (Sátiras, I, 79), indicando que a indignação não raro acende a inspiração nos poetas. Fama volat (A fama voa). — Expressão de Virgílio (Eneida, III 121) para indicar a celeridade com que as notícias se propalam. Favete linguis (Favorecei-nos com o silêncio). — Fórmula usada pelo hierofante antes de começar a celebrar os seus mistérios. Horácio (Odes, III, 1, 2) emprega-a para pedir que o ouçam em silêncio, pois vai anunciar certas verdades morais. Felix qui potuit rerum cognoscere causas
(Feliz aquele que pode perscrutar as causas das coisas).— Versos de Virgílio
(Geórgicas, II, 489) celebrando a felicidade dos espíritos
superiores que profundam os segredos da natureza e descobrem as causas
íntimas dos fenômenos.
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