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O artigo deu pano pra manga. Na época, enviei-o para um amigo que conheci num chat do UOL, que me enviou uma mensagem indignada sob o título "misógino virtual". Na cabeça dele, o texto se equivoca por afirmar um comportamento de desvalorização dos sentimentos e banalização da feminilidade. Respondi-lhe que, em minha opinião, a propósito do que vocês já justificaram depois, o texto não teria como público alvo apenas as mulheres. O equívoco do texto está em ser apresentado como algo que indicasse a capacidade de inteligência feminina, o que seria dispensável. No entanto, para
meu interlocutor, seria improcedente considerar o caráter
De fato, após 33 dias de teclação, meu amigo veio de Lisboa visitar o Brasil e tivemos oportunidade de nos encontrar em carne e osso, o que foi muito significativo para ambos. O interessante a ser resgatado aqui, no que concordo com ele, é que desde a primeira conversa fomos autênticos, diferentemente do que se entende do artigo. Meu filho adolescente costuma dizer que não vê graça em mentir no chat todo aquele que, afinal, tem uma realidade boa fora da língua cibernauta. Talvez. O fato é que aqui em casa nossas frases têm sido nossas mesmo e quando teclamos com outras pessoas, falamos da "dor e a delícia" de manter um relacionamento real, mesmo a distância. O tão preconizado aspecto "virtual" das relações humanas nas salas de bate-papo da Internet é questionável, já dizia o meu amigo Urublue, quem me apresentou O Caixote e suas belezas - uma Caixa de Pandora no sentido da pluralidade de linguagem, de gosto pela liberdade de expressão. E concordo com vocês, autoras do artigo, quando demonstram preocupação em valorizar a identidade, a particularidade, a subjetividade. Nesse mundo tem de tudo. Tem de tudo na rua, tem de tudo na televisão, tem de tudo no Congresso Nacional e nos chats também tem de tudo. Tem gente que nunca vai conseguir ir em frente e olhar no olho daquele que o seduziu com as palavras, tem gente que se permite e se entrega a reconhecer esta nova possibilidade de troca como algo que transgride os ditames da sedução imaginária imposta pela cultura. Não veria prudente tomar um segmento social cuja linguagem é a da resistência ao reconhecimento do próprio desejo como "A Verdade". Este não pode ser visto como paradigma dos que freqüentam os chats. O texto é válido para aqueles, e só para aqueles, que se encontram nessa dificuldade. E registro aplausos a vocês, que se ocupam na busca de reverter tais bloqueios e dificuldades: o empastelamento, a geléia geral, a pasteurização, o chavão, o lugar comum... Beijo grande,
Cor
de Mar
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