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Danças e Bailes |
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por
Intérprete
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Um dia
surgiu uma tenebrosa nave, vinda de um lugar chamado “os-interesses-do-hemisfério-norte”.
Trazia uma ditadura-militar-truculenta, e de dentro dela saíram
milhares de homenzinhos-verdes, que dominaram o reino e passaram a exigir
que os habitantes pensassem exatamente como eles queriam que eles pensassem.
Ao saber
do discurso, o general-presidente, que era o representante oficial da ditadura-militar-truculenta,
ficou fulo de raiva e resolveu processar o deputado. Mas, para processá-lo,
precisava de uma autorização do congresso nacional.
Aí o general-presidente ficou mais fulo ainda, e só não ficou vermelho de raiva porque a cor, à época, comprometia. Dizendo que o discurso do deputado colocava em risco a segurança nacional do reino, mandou o exército cercar o congresso, como forma de transformar o não em sim, naquele momento e para todo o sempre. Daí
em diante, todos os generais-presidentes, porque a ditadura-militar-truculenta
os substituía a cada seis anos, mandaram o exército cercar
alguma coisa, sempre sob o argumento do risco à segurança
nacional do reino.
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O relógio
da longa noite do tempo deu várias voltas, até que um dia,
a ditadura-militar-truculenta amanheceu morta.
Os habitantes, como sempre é dado aos habitantes, saíram às ruas para festejar. Dançaram seus sambas e jogaram desbragadamente no jogo do bicho, apostando no burro. Com isso adquiriram o direito de escolher quem bem entendessem para lhes governar ou desgovernar. Dispostos a recolocar o reino nos trilhos(4), resolveram escrever uma nova constituição. Nela, definiram o que era e o que não era segurança nacional; e o que o exército podia e o que não podia cercar. E para que ninguém fizesse confusão novamente, diferenciaram exército de polícia. A alegria voltou a reinar no reino(5), com os habitantes animados, esperando a próxima copa do mundo e cumprimentando-se com os seus “saravás”. Mas, um dia... Um dia, um grupo de aldeões contaminados por um perigoso vírus, identificado pelos cientistas sociais como o-vírus-da-reforma-agrária-reprimida, invadiu as terras do filho de um homem poderoso e influente, que até os havia ajudado a escrever a constituição. |
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O homem era agora o sociólogo-neo-presidente, e achou que a invasão era provocação demais para a sua vã ideologia. Achando que a invasão colocava em risco a segurança nacional das terras do filho, o sociólogo-neo-presidente telefonou para o general-que-não-era-presidente-mas-estava-louco-para-ser e mandou que ele pegasse o exército e cercasse os aldeões. O exército,
sempre ávido para cumprir ordens superiores, foi lá e botou
pra correr aquele bando de aldeões babando ideologias exóticas.
E para garantir que eles não voltassem, acampou nas terras por uns
dias.
O relógio da longa noite do tempo ainda não deu a próxima volta, mas todos já sabemos o que acontecerá se um Márcio Moreira Alves disser à moça para não dançar com sociólogos. |
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. (1)
Não confundir com roubo, furto ou assalto.
(2) Ordem dos Advogados do Reino (4) Não seria neste momento que criariam a ferrovia norte-sul (5) Apenas força de expressão. O reino não era uma . ![]() |
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