ARMÁRIO DE ESQUELETOS

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14 de maio
(Um roquinho de fundo, naquela solitária guitarra) 
palavra chave: máscaras
  
Não te peço que tire a máscara 
Nem mesmo te peço um espelho 
Apenas que me sinta 
por detrás das minhas máscaras. 

 
Sempre houve, parece, impulso de sair do anonimato. Mas o caminho inverso também se registrou ao longo da história. O impulso de se ocultar. E nesse vai-e-vem da alma perderam-se para sempre certas engrenagens. A engrenagem das transparecências. 
Freud andou destruindo máscaras. 
Lacan andou recolhendo espelhos quebrados. 
Poetas andaram olhando atrás das máscaras. 
Crianças amaram Zorro (um mascarado),  
                             Pimpinella Escarlate (outro mascarado)  
                                                                e Anônimos Venezianos.

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 yin-yang - picasso (detalhe)
  
Mas 

Não há peeling que remova a falsa face da vida. 
Não há máscara que esconda a face real da vida. 
* 
Então, foi o seguinte: 
O impulso sempre de trans-aparecer. Ver, partilhar. Desembrulhar emoções. Deixar a voz percorrer planícies e harmonizar-se com as cores e os movimentos. Mostrar. Iluminar um a um os esconderijos, arejar os cantos, arrumar prateleiras, reencontrar o ser de outro ser quando faltava o ar. 
 


 
 

Mas
A literatura não muda o mundo. 
O poeta está por fora.
É tempo de inventar outro caminho.
Já não há mais ninguém aqui. 
É tempo de fechar o armário e jogar a chave fora.

Mas
carar.

 


*
Cor
Serve qualquer uma
que esconda a sombra da face.

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