um personagem, a título de contribuição

 

O ancestral mais antigo, cientificamente possível.

(ficção arqueológica e sem nenhuma moral)

 

 

 

UMM, como foi encontrado Abaixo a pegada do pé esquerdo, antes da gangrena, óbvio. Prova irrefutável da Doutrina de UMM (foto BIA)

Pequena Fábula de UMM

 

 

Acordando com uma dormência no dedão do pé, incômoda, persistente, UMM o esmagou com uma pedra. O dedão.

Não compreendendo a origem da dor insuportável, culpou a pedra e disseminou entre sua espécie essa crença. Uma pedra comum. Muito magra, barba, bigode e turbante.

Teve tempo para isso entre a inflamação, gangrena e morte.Seus uivos terríveis se encarregaram de convencer todos os Homo Ergaster dos inequívocos perigos que aquele objeto representava.

Isso explica a geologia intocada da imensa região desse povo sedentário. Nenhum traço, nenhuma mancha em nenhum mineral, até o surgimento do Homo Erectus.

Estes, já distantes da memória de UMM, elegeram uma pedra específica - um belo cristal negro, já sem barba, gordinho, bigode, sem turbante - que deveria ser caçada e guardada. Os primeiros nômades.

Como estes se expandiram, ampliando o mundo de então, foi o fim da Doutrina de UMM.

UMM seria apenas um imbecil menor, se, não acreditando tanto em si próprio não influenciasse tantos, por tantos milênios.

Essa era a única grandeza de sua imbecilidade.

Hoje, apenas mais um.

 

L. C. Cruvinel

 

Provável crânio dos seguidores de UMM

Fóssil turkanablan, encontrado por R. Leakey e sua reconstituição por computador.

Datado de mais de 1 milhão de anos A. C. - Tanzânia