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I
Para
contar um sonho,
eu
preciso dos teus dedos
e do
toque do vento.
Relembro
um traço mais tênue
que a
silhueta das árvores,
e
recorto teu rosto na saudade
da memória.
Para
contar um sonho,
eu
preciso de teus olhos
e do
tremor do vento.
Tomo do
mais novo tom
no crepúsculo
inventado
e retoco
o céu amendoado
de um
suspiro.
Para
revelar meu sonho
eu
preciso dos teus lábios
e do
murmúrio do vento
Então,
as mãos em concha,
ecoo o
som do sono
no teu
nome
e sopro
o teu pensamento
que
viveu o sonho em mim.
Há
uma dança macabra
de
palavras, esta noite,
todas
mortas, revivendo vozes,
todas
claras, revolvendo a lua,
todas
redivivas e fugazes
nos
lindes da música.
(É a
hora da mímica do passado:
rememoro
os papéis,
as
partituras que deixaste
nas
palavras ditas,
as canções
da ante-aurora,
e os braços
de luar vestidos
nos
tateios do amor.)
Há uma
dança noturna,
de palavras graves,
gravadas
nos teus dedos
desfloridos.
Sombras
de dizeres reescritos
nas
volteios infinitos
da memória.
De
ti, indolente, fiz
retalhos
de carinhos
rebordei
as margens
da
estrada maltrapilha,
inventei
segredos
de ser.
Tu,
remanso sem sono,
mantéu
de mãos
em sã
demência
Tu,
minha preguiça
de
orvalho sem noites
irreverência
minha
nos lençóis
suaves
do
poema.
Tu,
inevitável vida,
Tu,
inesquecível morte.
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