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                    Eu te amo...

  
  

... no jeito ingênuo
de te sentir boneca de pano
quando te acalento
cantando acalanto
para te fazer dormir de mentirinha.

Eu te amo de sonho
e esperança, te amo acordado
e enfeito de ti
minhas horas mais tristes
para que não mais sejam tristes.

Amo tua voz e teus olhos,
e tuas mãos de amiga,
de irmã que não quero,
de amante ternura,
carinho e tesão.

Eu te amo distante
na imagem-desejo
de estar sempre perto.

Eu te amo contando dias,
os dias que faltam
para ter-te real: em cores,
contato e odores.

Eu te amo demais.
Eu te amo mais.
Muito mais.


 

 

 


Luiz de Aquino (Alves Neto)

Nascido normalmente – a não ser pelo dia e horário: um sábado de 1945, às oito da manhã – em Caldas Novas, Goiás. Criança, fugia do futebol de bola de meia no meio da rua, preferia ler gibis. Poeta e  contista pelo prazer do texto, jornalista pelas mesmas razões e porque há que se sobreviver. Autor de nove livros publicados e alguns em disquetes. Vive em Goiânia, entre prazeres e angústia, pois que o neoliberalismo globalizante não permite coisa melhor. Escreve crônicas todos os dias para o Diário da Manhã.

 
deaquino@terra.com.br