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Outro dia, após muito tempo sem dar as caras, entrei no site da Sopa das Letras da Lizete.

Assunto do dia: "pessoas que mudaram nossa vida". Coisa mais sem propósito... isto é papo de botequim, após o quinto uísque. Mas topei entrar, mesmo assim, de cara limpa.

Alguém me perguntou: "Humphrey, qual foi a pessoa que mudou sua vida?" Não precisei de muito tempo para responder enfaticamente: "Augusto Boal!"

A pergunta e a resposta ativaram o "Cine Humphrey" em minha cabeça e o filme que estava sendo exibido era "Arena conta Zumbi".

"O Arena conta a história pra oceis ouvi gostoso. Quem gostar nos dê a mão e quem não tem outro gozo... A história que o Arena conta é a epopéia de Zumbi... tanto pró e tanto contra juro em Deus que nunca vi".

Tremendo orgulho!!! Eu freqüentei aquela turma... nosso guru: Boal.

Entretanto, eu acho que aquela sessão da Sopa das letras, para muita gente, não acabou por aí. Pra mim não acabou...

Fiquei lembrando nomes, pensando pessoas, revivendo situações.

E foi revivendo situações que, de imediato, lembrei de Dona Olga.

Já são passados quase quarenta anos e Dona Olga pulou de algum lugar em que possa estar para minha lembrança.

Dona Olga morava e era estabelecida na avenida da Consolação, à época rua da Consolação, rua importante, de mão única, que ligava a zona Oeste de São Paulo com o centro... com direito ao bonde 28 Praça Ramos/Vila Madalena.

Morava ao lado do Cemitério da Consolação, na parte superior de um assobradado, com uma floricultura no térreo.

Bem... Dona Olga... Dona Olga era visitada por meninos (naquele tempo, não existia adolescente... éramos todos meninos) que dela recebiam lições que nos marcaram até hoje...

Dona Olga nos ensinou, de forma singela, o que hoje é assunto de livros, discussões, palestras e sei lá mais o quê.

Dona Olga ensinava... foder!

Não, não era uma puta... era uma mestra.

Quando nos faltava coragem de chegar até ela sozinhos, íamos em grupos e ela um a um atendia com carinho.

Mostrava os peitos... pequenos... e falava punheta... quero ver punheta!!!

Depois da punheta, sempre tinha um bolinho de fubá e um suco.

Tinha método e didática... a segunda aula, depois da punheta, era o papai-e-mamãe, seguido de um "banho tcheco" no bidê e partia ela para os outros.

Foi uma bênção conhecer Dona Olga: ela dava o rabo com maestria, coisa tida como horrível tanto naquela época como até hoje por algumas...

Acredito até que ela, ao fazer isto, derrubou uma das instituições mais cultuadas pela molecada da época: o troca-troca!

De nossa parte, éramos solidários. Podíamos deixar de lado o Pacaembu, o cinema, mas Dona Olga, nunca! Não bastasse o fato de fazermos vaquinha quando a mesada de um de nós acabava, ainda gozávamos (gozávamos, ops) de crédito, de resto, sempre honrado.

Até hoje suspeitamos que Dona Olga mantinha um convênio de extensão cultural com o Mackenzie (pela proximidade) para ministrar aulas práticas de educação sexual.

Filas eram comuns, molecada enchendo a sala de espera, disputando inclusive no palitinho, sobre quem ficaria com a "sopa".

Por vezes ela dava de graça, mas tínhamos de fazer o que ela queria. Foi numa destas vezes que tive minha primeira experiência de sexo oral.

A T E R R O R I Z A N T E!!!

"O que ela está fazendo, colocando meus bagos na boca, sem mais nem menos?" " Por favor, Dona Olga, não morda!" E ela, sacanamente, sorria enquanto mordiscava a cabeça do pinguelinho.

Só que a coisa não parava por aí. Dona Olga gostava de ser chupada, ocasião única, aliás, em que ela chegava a gozar (não sei se de prazer ou da gente).

Revejo claramente a primeira vez que me aconteceu: Dona Olga deitada, pernas aberta e eu de quatro, pelado... Pelado não. De meias, olhando, olhando, sem saber o que fazer. Ela, recostada, puxou minha cabeça para o meio das pernas dela. NOJO! Foi aproximando minha boca de um buraco estranho, vermelho, cheio de pêlos. MEDO! Pediu que passasse minha língua em volta e depois de duas ou três passadas, ordenou que enfiasse a língua e lambesse. Então ela gozou. Fluido e quente ela gozou. TESÃO.

Seria este o " fruto proibido"? Fruto com polpa farta nas laterais, vermelho, como um fruto deve ser, um pequeno estame na parte de cima, feito para ser mordiscado. Fruto este que só podia ser encontrado revolvendo uma moita negra e assustadora. Mas doce, fruto doce, de sabor indefinido, impossível de desgostar.

A confissão depois era inevitável. Estou rindo aqui, pois, falando em tesão, acho que entendi o porquê de o pároco da Igreja da Consolação, sempre que começávamos nossa confissão com o: "Padre, pequei contra a castidade, em pensamentos, palavras e obras", pedir os detalhes, principalmente das "obras".

Enfim, Dona Olga nos iniciou... e não me venham com este papo de machismo... e o fez muito bem e nos mostrou que, entre quatros paredes, porta fechada, vale tudo e muito mais.

Será que é só entre quatro paredes?

Ah... Desculpe, Boal.

 
Luiz Alberto Calil
já correu de carro, fez teatro, brigou à beça. Produziu shows, escreveu algumas coisas (até horóscopo), mentiu muito, namorou demais, soprou um sax, hoje, é boêmio e advogado.

lacadv@globo.com.br

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